quarta-feira, 6 de abril de 2011

Martin Lutero


As 95 Teses de Martinho Lutero

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé.
Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue.
Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese
O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese
Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese
Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema
10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese
Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.
12ª Tese
Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese
Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese
Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese
Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.
22ª Tese
Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.
24ª Tese
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese
Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.
30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese
Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese
Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese
Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese
Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese
É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.
44ª Tese
Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada
48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese
Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese
Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.
59ª Tese
São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese
Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese
As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese
Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-
70ª Tese
Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
72ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese
Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
78 ª Tese
Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.
77ª Tese
Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.
78ª Tese
Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.
79ª Tese
Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.
81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.
82 ª Tese
Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese
Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese
Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?
86ª Tese
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
87ª Tese
Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?
88ª Tese
Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese
Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese
Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.
93ª Tese
Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese
Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese
E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.

Fariseu eSaduceu


                             Os Saduceus

Os saduceus formavam outro grupo proeminente de judeus na Palestina entre os séculos II a.C. ao I d.C. . Não se sabe ao certo a origem da palavra saduceus. Alguns crêem que vem do hebreusaddiqim, que significa íntegro ou derivado de Zadok, nome do mais importante sacerdote durante o reinado de Davi (1 Reis 1:26). Organizaram-se no período da dinastia asmonéia, momento de prosperidade política e econômica. Eles eram um grupo formado pela elite, principalmente proveniente das famílias da alta hierarquia sacerdotal. Provavelmente era menor, mas mais influente que os fariseus. Sua influência, porém, era sentida sobretudo entre os grupos governantes ricos. 

Seguiam somente as leis escritas, presentes na Bíblia hebraica (Torah), e rejeitavam as tradições mais novas. Não acreditavam em vida depois da morte (Mc. 12:18-27; C. 20:27); em anjos ou espíritos (Atos 23:8) e na Providência Divina. Eram altamente ritualistas e só aceitavam os cultos realizados no Templo, onde acreditavam que Deus estava. Possuíam um papel preponderante no Sinédrio e controlavam as atividades e riquezas do Templo (Atos 4:1; 5:17; 23:6).

Rejeitaram os ensinos dos fariseus, especialmente as tradições orais e as tradições mais novas. Além dos fariseus, rivalizavam com os herodianos, porém, eram simpáticos à romanização e à helenização. Os Evangelhos os retratam freqüentemente junto com o fariseus como oponentes de Jesus (Mt. 16:1-12; Mc. 18:12-27). Com a destruição do templo e o efetivo domínio romano, esta seita acabou por desaparecer. 


 

                                   Os Fariseus

Os fariseus formavam um grupo ativo, numeroso e influente na Palestina desde o século II a.C.. O termo Fariseu provavelmente significa, em hebreu “separado”, e se refere à observância rígida das leis e tradições por parte dos membros do grupo (Lc. 18:10-12). Seus líderes eram chamados de rabinos ou professores, tal como Gamaliel, já que se dedicavam a estudar e comentar as escrituras (Atos 5:34; 22:3).

Os Fariseus aderiram e defendiam a observância rígida do sábado sagrado, dos rituais de pureza, do dízimo, das restrições alimentares, baseando-se nas Escrituras hebraicas e em tradições orais mais recentes (Mc. 7:1-13; Mt. 15:1-20). Se opunham à romanização e à helenização. Seus maiores rivais políticos e religiosos foram, durante muito tempo, os Saduceus, principalmente devido a postura pró-roma deste grupo. Esta rivalidade, contudo, não os impedia de unirem-se em alguns momentos em que os objetivos faziam-se comuns.

Em sua maioria, os fariseus eram leigos, ainda que entre eles fossem encontrados alguns levitas e membros do Sinédrio (Atos 5:34). Consideravam-se sucessores de Esdras e dos primeiros escribas. Eram os freqüentadores das sinagogas e buscavam divulgar a interpretação da Lei escrita e oral.

Em contraste com os Saduceus (Mc. 12:18-27), os Fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos, no livre arbítrio do homem, na onipresença de Deus, no papel da Lei como um freio para os impulsos negativos dos homens (Atos 23:1-8). Os Evangelhos os retratam como os principais oponentes de Jesus (Mc. 8:11; 10:2) e que teriam conspirado junto com os herodianos para matá-lo (Mc. 3:6). Não obstante, Jesus dirige algumas críticas severas contra a hipocrisia e cegueira dos Fariseus (Mt. 23; Jo. 9). Contudo, em termos teológicos, cristãos e fariseus concordavam em alguns aspectos, o que explica o grande número de fariseus que acabaram por tornarem-se cristãos (Atos 15:5). Paulo, antes de converter-se ao cristianismo, era um fariseu (Fil. 3:5; Atos 23:6; 26:5).

Mesmo após a Guerra Judaica, os fariseus permaneceram ativos. Como dentre as seitas de então, não foi eliminado, passou a dirigir o Judaísmo e a rivalizar com os cristãos.

A Palavra do dia.



Depressão tem Cura?

O Caminho da Cura
 
Mesmo que você não esteja sofrendo de depressão, talvez esteja sendo preparado para ajudar alguém próximo que vai passar ou já apresenta este problema. Afinal, a alegria, o encorajamento, o aconselhamento e uma boa companhia muito contribuem no processo de tratamento do coração deprimido.

Por isso, em tempos de crise, Deus sempre envia alguém para nos ajudar. Ele nunca nos deixa desamparados ou sozinhos. Então, permita que o Senhor o use como um canal de bênção para as pessoas que estão mergulhadas na angústia profunda e no charco de lodo da depressão.

Porém, se os sintomas dessa doença estiverem manifestos na sua vida, é sinal de que você está seguindo a rota da depressão. Então, não se deixe dominar por sentimentos de pessimismo, ressentimento e indignação. Se quiser vencer a depressão tem de aprender a valorizar a sua vida, a levantar a sua autoestima e a crer em Deus. Você deve buscar a ajuda de um médico e submeter-se a um tratamento clínico, sem jamais deixar de recorrer ao Médico dos médicos e de contar a Ele os pensamentos que povoam a sua mente e os sentimentos que tomaram conta de seu coração.

Lembre-se das palavras do Senhor no Salmo 50.15: Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.

Atente para o que orienta o salmista: Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado (Salmo 55.22).

Deus está passando com você por esse túnel escuro da depressão. Nunca se esqueça de que Ele não o abandonou; antes, está contemplando você com os Seus olhos de chamas de fogo. Ele lhe diz:

Pode a mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti. Eis que, na palma das minhas mãos, te tenho gravado.                                                                 
Isaías 49.15,16

Tu, a quem tomei desde os confins da terra e te chamei dentre os seus mais excelentes e te disse: tu és o meu servo, a ti te escolhi e não te rejeitei; não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.
Isaías 41.9,10

O Senhor o ama. Ele sabe quem é você e conhece o seu problema. Tem poder para curar qualquer enfermidade, pois para Ele nada é impossível.

O mesmo Deus que cuidou de Elias quer falar com você neste momento. Se está desanimado, abatido e angustiado ou pensa que não tem mais jeito e chegou ao fim de sua vida, repouse, alimente-se, deposite sua fé no Senhor e procure uma ajuda terapêutica para diagnosticar seu caso e indicar o melhor tratamento. Faça a sua parte, e confie que Deus fará a dele, o impossível, para abençoá-lo.

Talvez você esteja angustiado há tanto tempo, porque nunca orou ao Senhor, contando o motivo de sua angústia. Você precisa desabafar, dizer a Ele: "Senhor, estou deprimido, porque o meu cônjuge me abandonou", ou "porque o meu filho é ingrato e só tem feito bobagens", ou "porque o meu melhor amigo me traiu". Não remoa os fatos ruins do passado. Em vez disso, conte a Ele o que você está sentindo.

O seu passado pode ter muitas marcas que o levaram a este quadro depressivo, mas o seu futuro está intacto. Construa-o, então, com a ajuda de Deus.

Siga o exemplo de José, que não ficou se lamuriando, porque foi vendido por seus irmãos. Ele poderia ter reclamado por causa das injustiças sofridas na casa de Potifar: "Está vendo o que é que Deus permitiu que fizessem comigo? Eu permaneci fiel à Sua Palavra, resisti aos assédios da mulher de Potifar, e acabei jogado no cárcere".

Contudo, em vez de José se entregar ao desânimo e ao profundo ressentimento, procurou esquecer o passado de sofrimentos e fixar os olhos no futuro que o Senhor tinha reservado para ele. José acreditou que aquele não era o seu fim, que o dia da virada de seu cativeiro chegaria. E Deus honrou a sua fé. No dia que Deus interveio, José saiu direto da prisão para o palácio. Tornou-se governador do Egito e foi usado como instrumento de bênção para muitas pessoas num tempo de seca e fome sobre a terra.

O Senhor também tem projetos e planos para você. Quero ministrar uma palavra profética e de encorajamento para a sua vida; lembrá-lo de que, seja qual for a forma que Deus escolha para abençoá-lo — por meio de um tratamento médico e medicamentoso, de um terapeuta, um aconselhamento ou uma intervenção poderosa dele —, a vitória virá!

Então, seja qual for o seu problema, ore agora em nome de Jesus, rogando ao Pai pela solução do mal que o aflige. A oração de um justo pode muito em seus efeitos! Oremos:
"Nosso Deus e Pai, na autoridade do nome de Jesus Cristo, repreendemos todo espírito de depressão e angústia. Que toda a obra do diabo seja desfeita agora e que a saúde física, emocional e mental seja restabelecida! Que o teu servo recobre o ânimo e a vontade de viver! Que o teu Espírito tome conta da mente e do coração deste que ora comigo, e ele seja impactado, transformado e guiado pela Tua Palavra, vivendo uma nova dimensão da Tua graça. Em nome de Jesus. Amém".

Após esta oração, repita o que é dito no Salmo 4.8: Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.

No outro dia, você poderá acordar e dizer com toda convicção: Deitei, dormi e acordei, porque o Senhor me sustentou (Salmo 3.5)!

Receba o renovo do Senhor! Rejeite a tristeza. Olhe para frente. Procure reconstruir a sua vida. Lute por seu futuro. Tenha convicção de que Deus preparou o melhor para você, que Jesus veio para que você tenha vida, e a tenha em abundância (João 10.10). Que Deus o abençoe, conceda-lhe a paz de Cristo, a saúde e a felicidade que só Ele pode proporcionar ao homem que o teme e anda em Seus caminhos!

terça-feira, 5 de abril de 2011


Cristo é a Ressurreição e a vida - Watchman Nee




"Conhecer a cruz é conhecer a ressurreição".
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida.” Jo 11:25
Nas questões espirituais somos confrontados com um sério problema. Frequentemente pessoas servem a Deus com habilidades naturais, em vez de servirem com as (habilidades) da vida de ressurreição. Muitos tem zelo, mas poucos tem um zelo ressurreto – um zelo que passou pela morte e ressurreição. Observamos vários irmãos trabalhando hábil e diligentemente e, no entanto, essa habilidade e diligência são do primeiro grupo – o natural – e não do segundo, pois não passaram pela morte. Se nossa vida perante Deus é vivida no poder desses elementos naturais, não podemos dizer que tenhamos vida de ressurreição.
Alguém pode perguntar: “O que é Corpo de Cristo?” O Corpo de Cristo é de onde a ressurreição de Cristo é manifesta. Em outras palavras, o que quer que não pertença à ressurreição, não tem qualquer parte no Corpo de Cristo. A Igreja não é o lugar onde você introduz algo da sua inteligência e eu acrescento algo da minha habilidade em lidar com as pessoas. A Igreja não é edificada através da nossa contribuição com habilidades materiais. A Igreja exclui tudo o que é natural e aceita somente o que é ressurreto. Sempre que o natural se manifesta, a Igreja perde o seu caráter. Na Igreja não pode haver nenhum elemento que não seja ressurreto.
Muitos irmãos perguntam como a Igreja pode ser uma. Temos que compreender quão fútil é tentar alcançar a unidade pelos meios humanos. Os filhos de Deus precisam conhecer à unidade. Nenhum método é efetivo, a menos que o povo de Deus experimente o Calvário. Nenhum problema na Igreja é resolvido quer por estratégias ou engenhosidade humanas. Na Igreja não há lugar nem para a carne, nem para o que é natural, pois ambos a danificarão. É bem verdade que a Igreja requer as contribuições e os ministérios dos homens; no entanto, deve haver a marca da morte sobre eles. Ressurreição é ser útil tendo a marca da morte. O próprio Senhor é a ressurreição, e Ele deseja ter uma Igreja ressurreta.
Se desejamos ter tal experiência, então devemos nos voltar para Deus para que Ele faça a Sua obra em nossas vidas. Talvez estejamos bastante familiarizados com muitos ensinamentos; no entanto, sem recebermos um golpe básico do Senhor, permaneceremos os mesmos. Algumas vezes escorregamos e caímos. É verdade que sentimos a dor; no entanto, ela dura por poucos dias ou meses. Mas se houvéssemos sido golpeados por Deus e suficientemente quebrantados, não ficaríamos doloridos por apenas uns poucos dias ou poucos meses; conservaríamos essa ferida por toda a nossa vida. Mancaríamos para sempre diante de Deus e a marca da cruz estaria sempre sobre nós.
Muitos anos após Paulo ter tido a visão na entrada de Damasco, ele deu o seguinte testemunho: “Pelo que... não fui desobediente à visão celestial” (At 26:19). Se o Senhor tiver misericórdia de nós e um dia nos golpear severamente, nosso velho eu nunca será capaz de se levantar novamente. A ferida permanecerá em nós para sempre. Da mesma forma, como era possível tocar a ferida assim nunca desapareceria das vidas dos que hoje conhecem o Senhor como a ressurreição. Experimentando esta ferida, nunca mais nos atreveremos a orgulhar em nós mesmos e em nossa força. Uma vez abatidos pelo Senhor, não nos levantaremos mais. Que as marcas da cruz sejam cada vez mais evidentes em nossas vidas.
Nesta matéria, toda artificialidade é inútil, pois tudo aquilo que é simulado logo será esquecido. Mas uma vez que o sacrifício é colocado no altar e imolado, ele não se levanta nunca mais. Se sofrermos esse golpe, compreenderemos então quão incapazes, acabados e nulos somos. O nosso conhecimento da ressurreição é testificado por esta marca de morte. Conhecer a cruz é conhecer a ressurreição. Oh! Quantas são as coisas que nunca se levantarão novamente; se foram para sempre ao passar pela cruz. Somente o que pode resistir à cruz possui valor espiritual. O que entra na sepultura e ali permanece é algo morto, no entanto o que sai da sepultura levando a marca da cruz é ressurreição.
Oremos para que verdadeiramente possamos conhecer que Cristo é a nossa ressurreição e a nossa vida. Que o Senhor possa eliminar muitas coisas em nós. Que somente Ele nos leve a ter mais da Sua vida, como também menos de nós mesmos. Quão frequentemente vivemos de acordo com o que é natural, não conhecendo a disciplina de Deus e nem a cruz. Peçamos ao Senhor que, em Sua misericórdia, o que é natural possa gradativamente diminuir em nós, enquanto que o ressurreto possa ser cada vez mais manifesto. Que a vida e a ressurreição possam ser realidades – não teorias – para nós. Possa Ele nos mostrar que não há ressurreição quando apresentamos nossas ações naturais, pois só produzem o que é natural e carnal. Possa Ele expor a nossa carne pela luz da ressurreição. Se ainda não conseguirmos ver, que o Senhor seja misericordioso. Amém!
Extraído do Livro: “Cristo, a Essência de Tudo o que é Espiritual” – Ediçöes Tesouro Aberto

O Medo De Crer - C.H Spurgeon



"Deixe o ego morrer, para que Cristo possa viver em você. "
O medo de crer é um produto singular da nossa natureza doentia. Eu mesmo tenho me encontrado com ele freqüentemente: tão freqüentemente que espero poder nunca mais vê-lo novamente. Ele parece humildade, e tenta se passar como uma verdadeira modéstia da alma e, contudo, é orgulho infamante: na verdade, é a presunção representada pelo hipócrita. Se os homens temessem descrer haveria bom senso no medo; mas ser temente em confiar em Deus é na melhor das hipóteses absurdo, é sem dúvida uma forma enganosa de recusar ao Senhor a honra que é devida à Sua fidelidade e verdade.
Quão inútil é a diligência que se ocupa em encontrar motivos pelos quais a fé, no nosso caso, não poderia estar salvando. Temos a Palavra de Deus para isto, para que todo aquele que creia em Jesus não pereça, e procuramos por argumentos porque deveríamos perecer se cremos. Se alguém me desse uma propriedade, eu certamente não começaria a levantar questões com relação à escritura. O que adianta inventar razões pelas quais eu não possuiria minha própria casa, ou alguma outra parte de uma propriedade que é desfrutada por mim? Se o Senhor está satisfeito em salvar-me pelos méritos do Seu querido Filho, seguramente posso estar satisfeito por ser salvo deste modo. Se eu aceitar Deus em Sua Palavra, a responsabilidade do cumprimento da Sua promessa não está comigo, mas com Deus, que fez a promessa.
Mas você teme que talvez não seja um daqueles para os quais a promessa é destinada. Não esteja alarmado por essa suspeita inútil. Nenhuma alma jamais veio a Jesus erroneamente. Ninguém pode vir a menos que o Pai o atraia; e Jesus disse, “Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” Nenhuma alma jamais se agarra a Cristo de forma roubada; aquele que O tem O tem por direito divino; pois a doação do Senhor de Si mesmo por nós, e para nós, é tão gratuita, que toda alma que O recebe tem um direito gracioso de assim fazê-lo. Se você se agarra a Jesus pela orla de Sua veste, sem permissão e por de trás dEle, ainda assim virtude fluirá dEle para você tão certamente como se Ele tivesse chamado você pelo nome e dito para você confiar nEle. Rejeite todo medo quando você confia no Salvador. Recebe-O e seja bem-vindo. Aquele que crê em Jesus é um eleito de Deus.
Você acha que seria uma coisa horrível se você confiasse em Jesus e ainda assim perecesse? Seria mesmo. Mas como você deve perecer se não confiar, o risco na pior das hipóteses não é muito grande.
Suponha que você esteja no Pântano do Desânimo para sempre, qual será o benefício disso? Certamente seria melhor morrer se esforçando ao longo da auto-estrada do Rei em direção à Cidade Celestial, do que afundar mais e mais fundo na lama e na imundícia das trevas dos pensamentos desconfiados! Você não tem nada a perder, porque já perdeu tudo; portanto dê um basta nisso e ouse crer na misericórdia de Deus para com você, até mesmo para com você.
Mas alguém se lamenta, “E se eu for a Cristo, e Ele me recusar?” Minha resposta é, “Prove-O”. Atire-se sobre o Senhor Jesus e veja se Ele o recusa. Você seria o primeiro contra quem Ele teria fechado a porta da esperança. Amigo, não cruze aquela ponte até que você chegue a isso! Quando Jesus o lançar fora, será tempo de muita desesperança; mas esse tempo nunca chegará. “Este homem recebe pecadores”, Ele não tem tantos para começar a lançá-los fora.
Você nunca ouviu sobre o homem que uma noite perdeu o seu caminho, e foi parar na borda de um precipício, assim pensou ele, e em sua própria apreensão caiu no precipício? Agarrou em uma velha árvore, e ficou suspenso ali, preso ao seu frágil suporte com toda a sua força. Sentiu-se convencido de que, se deixasse seu suporte, seria feito em pedaços sobre alguma rocha terrível que estava esperando por ele logo abaixo. Ali pairou, com suor sobre sua testa, e sofrimento em todo o braço. Entrou em um estado de desespero de febre e debilidade, e por fim sua mão não podia mais sustentar seu corpo. Relaxou sua força! E caiu do seu suporte! Caiu quase trinta centímetros ou mais, e foi parar em um macio banco de musgo, onde se deitou, sem ferimento algum e perfeitamente salvo até pela manhã. Deste modo, nas trevas da sua ignorância, muitos pensam que certa destruição os espera se confessarem seus pecados, abandonarem toda esperança em si mesmos e renunciarem se a si mesmos nas mãos de Deus. Temem deixar a esperança nas quais ignorantemente se agarram. É um medo inútil. Desista da sua esperança em qualquer coisa a menos de Cristo, e caia. Caia de toda confiança em suas obras, orações ou sentimentos. Caia de uma vez! Caia agora! Macio e seguro será o banco que o recebe. Jesus Cristo, em Seu amor, na eficácia do Seu precioso sangue, e Sua perfeita justiça, dará imediato descanso e paz. Cesse com a autoconfiança. Caia nos braços de Jesus. Esta é a maior parte da fé deixar todo outro suporte, e simplesmente cair sobre Cristo. Não há razão para temer, somente a ignorância motiva seu medo daquilo que será sua segurança eterna. A morte da esperança carnal é a vida de fé, e a vida de fé é vida eterna. Deixe o ego morrer, para que Cristo possa viver em você.
Mas o ruim é que não podemos conduzir os homens ao ato de fé em Jesus. Eles adotarão algum recurso antes mesmo que o possamos fazer. Eles procuram evitar crer, e temem a fé como se ela fosse um monstro. Oh tolos vacilantes, quem os enfeitiçou? Vocês temem aquilo que poderia ser a morte de todo medo e o começo da alegria. Por que vocês pereceriam por perversamente preferir outros caminhos para o próprio plano de salvação apontado por Deus?
Meu Deus! Existem muitas e muitas almas que dizem, ´Somos convidados a confiar em Jesus, mas em vez disto freqüentaremos regularmente os expedientes da graça.´ De toda maneira freqüentaremos o culto público, mas não como um substituto para a fé ou isto se tornará uma vã confiança. O mandamento é, “creia e viva”, atente para isto em tudo o quê você faça. “Bem, devo considerar a leitura de bons livros, talvez obtenha benefício desta forma.” Sem dúvida lemos os bons livros, mas isto não é o Evangelho. O Evangelho é, “Creia no Senhor Jesus Cristo, e você será salvo.” Suponhamos que um médico tenha um paciente sob seus cuidados e diga a ele, “Tome um banho pela manhã; isto será de grande ajuda para a sua enfermidade.” Mas o homem toma uma xícara de chá pela manhã ao invés do banho, e diz, ´Isto fará bem também, não tenho dúvida.´ O que seu médico dirá quando perguntar, ´Você seguiu minha instrução?´ ´Não, não segui.´ ´Então não espere, com certeza, que haverá algum bom resultado das minhas visitas, já que você não cumpriu a minha orientação.´ Assim nós, quando estamos debaixo do exame da alma, de modo prático, dizemos a Jesus Cristo, ´Senhor, Você me disse que confiasse em Você, mas eu prontamente faria algo mais! Senhor, quero ter horríveis convicções; quero ser sacudido sobre a boca do inferno; quero ser amedrontado e afligido!´ Sim, você quer qualquer coisa que não seja o que Cristo prescreve para você, que é que você simplesmente confie nEle. Quer você sinta ou não sinta, lance-se sobre Ele, pois Ele, e somente Ele, pode salvar você. ´Mas você não pretende falar contra a oração, ler bons livros, e assim por diante?´ Não digo nem uma única palavra contra nenhuma destas coisas, nenhuma mais da que falaria contra o homem beber uma xícara de chá, se eu fosse o médico que mencionei. Deixe-o tomar seu chá; mas não se ele o bebe ao invés de tomar o banho que está prescrito para ele. Por isso deixe o homem orar, quanto mais melhor. Deixe o homem examinar as Escrituras, mas lembre-se de que se estas coisas são colocadas no lugar da simples fé em Cristo, a alma estará arruinada. Tenham cuidado para que nosso Senhor não diga de qualquer um de vocês, “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim para terdes vida.”
Venha pela fé a Jesus, pois sem Ele você perece para sempre. Você notou como um pinheiro se sustenta em meio a rochas que parecem não proporcionar a ele solo algum? Ele lança uma pequena raiz dentro de cada pequena brecha que abre; ele se agarra até mesmo na rocha exposta como uma imensa garra de pássaro; ele segura forte e se une a terra com uma centena de ancoragens. Freqüentemente vemos árvores assim firmemente enraizadas sobre montes isolados de rocha exposta. Agora, querido coração, deixe esta ser a imagem de você mesmo. Agarre-se na Rocha das Eras, com a pequena raiz da pequena fé baseada nEle. Deixe aquele minúsculo tentáculo crescer e lançar outro para adquirir uma nova compreensão da mesma Rocha. Agarre-se a Jesus, e se mantenha agarrado a Jesus. Cresça nEle. Enlace as raízes da sua natureza, as fibras do seu coração, em torno dEle. Ele é tão gracioso para você como as rochas o são para os pinheiros; esteja firmemente amarrado a Ele como o pinheiro está na encosta da montanha.

Do livro ´Around the Wicket Gate´ (Perto da Porta da Meta).
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Palavra do dia


A Fiel Provisão de Deus - Hudson Taylor



"Conhecendo Deus através das dificuldades".

Nosso Deus, não raramente, permite que seu povo passe por dificuldades com o propósito de levá-los a conhecê-lo de uma forma que seria impossível sem aquela experiência. Em seguida, ele se lhes revela como “socorro bem presente na angústia” e traz verdadeira alegria aos corações a cada nova manifestação da fidelidade do Pai. Mesmo conseguindo enxergar uma parte tão pequena dos doces frutos da tribulação, já podemos sentir muitas vezes que não nos privaríamos deles por nada neste mundo. Quanto mais haveremos de bendizer e engrandecer seu Nome quando todas as coisas invisíveis e imperceptíveis forem trazidas à luz!
No outono de 1857, apenas um ano depois de me estabelecer em Ningpo, na China, um pequeno incidente ocorreu que contribuiu muito para fortalecer nossa fé na bondade e no atencioso e vigilante cuidado de Deus para conosco.
Um irmão em Cristo, o pastor John Quarterman, da Missão Presbiteriana do Norte, foi acometido por um caso virulento de varíola, e foi meu doloroso privilégio cuidar dele durante o sofrimento da sua doença até seu funesto final. Quando tudo acabou, era necessário que eu descartasse todas as roupas que havia usado durante o período de contato com o paciente, para evitar a transmissão da infecção a outros. Contudo, sem o dinheiro necessário para comprar outras no lugar daquelas, meu único recurso era a oração.
O Senhor me respondeu por meio da chegada de uma caixa, há muito extraviada, contendo roupas enviadas de Swatow (em outra região da China), no verão do ano anterior. A chegada desta encomenda naquele exato momento tanto foi apropriada como surpreendente, e causou uma doce percepção da provisão soberana do Pai.
Um Canal de Ajuda a Outros
Muitos parecem achar que sou muito pobre. Isto realmente é verdade, num sentido, mas dou graças a Deus porque sou “pobre, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co 6.10). E o meu Deus há de suprir cada uma das minhas necessidades, a ele seja toda a glória! Eu não estaria, mesmo se pudesse escolher, em situação diferente daquela em que estou – totalmente dependente do Senhor e usado como canal de ajuda a outros.
No sábado passado, chegou o correio normal da nossa terra natal. Naquele dia, como sempre, havíamos oferecido um café da manhã aos pobres e necessitados, que compareceram num total de setenta pessoas. Às vezes, este número não chega a 40, outras vezes, passa de 80. Oferecemos todos os dias, com exceção do dia do Senhor, pois então não conseguiríamos atender às pessoas e ainda cumprir todas as outras obrigações antes do culto.
Bem, naquele sábado de manhã, pagamos todas as nossas despesas e fizemos a compra para o dia seguinte, o que nos deixou sem um dólar no bolso, nem no meu, nem no bolso do meu companheiro, o Sr. Jones. Como o Senhor haveria de prover para a segunda-feira, não imaginávamos, mas acima da nossa lareira tínhamos pendurado dois pergaminhos escritos em chinês: Ebenézer: Até aqui nos ajudou o Senhor; e: Jeová-Jiré: o Senhor proverá. Assim, permanecemos firmes na confiança e Deus nos guardou de duvidar dele, por um instante sequer.
Naquele mesmo dia chegou uma carta, uma semana antes do que o tempo normal, com um valor de duzentos e quatorze dólares. Agradecemos a Deus e tomamos coragem. O cheque foi levado a um comerciante e, apesar de geralmente levar vários dias para se fazer o câmbio, desta vez ele disse: “Mande buscar na segunda”.
Apesar dele não ter tido condições ainda de comprar todo o valor do cheque, recebemos um crédito de setenta dólares na nossa conta e, assim, tudo deu certo. Como é maravilhoso viver assim, dependendo diretamente do Senhor, que nunca nos falhou!
Na segunda-feira, pudemos dar o café da manhã aos pobres, como era nosso costume, pois não lhes tínhamos avisado para não virem, estando confiantes que era obra do Senhor e que ele proveria. Não pudemos evitar que nossos olhos se enchessem de lágrimas de gratidão, quando vimos o Senhor suprir, não só as nossas necessidades, mas também aquelas da viúva, do órfão, do cego, do coxo, do abandonado e do destituído, através da abundância daquele que alimenta os corvos.
Engrandecei o Senhor comigo e todos à uma lhe exaltemos o nome... Oh! provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem. Os leõezinhos sofrem necessidade e passam fome, porém aos que buscam o Senhor bem nenhum lhes faltará (Sl 34.3,8-10) – e se não é bom, por que o desejaríamos?
Outra Crise
Mas até duzentos dólares não duram para sempre e, lá pelo Ano Novo, os suprimentos estavam acabando outra vez. Finalmente, no dia 6 de janeiro, 1858, só uma moeda restou, a vigésima parte de um centavo, para mim e para o Sr. Jones juntos. Embora provados, olhamos mais uma vez para Deus, para que ele manifestasse seu gracioso cuidado. Encontramos suficiente provisão em casa para prover um magro café da manhã, depois do qual não tínhamos mais nada para o resto do dia e nem dinheiro para comprar alimento algum. Só podíamos recorrer àquele que podia suprir todas nossas necessidades através da petição: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.
Depois de oração e deliberação, pensamos que talvez devêssemos dispor de alguma coisa que possuíamos, a fim de suprir nossas necessidades mais imediatas. Porém, examinando tudo, achamos pouca coisa supérflua ou desnecessária e menos ainda aquilo que os chineses teriam probabilidade de adquirir prontamente. Teríamos direito a crédito, se assim quiséssemos nos valer dele, mas o achávamos contrário aos princípios da Palavra, como também incoerente com a posição em que estávamos.
Tínhamos, de fato, um item que os chineses poderiam ter comprado facilmente: um fogão de ferro. Entretanto, ficamos muito tristes diante da possibilidade de ficar sem ele.
Finalmente, decidimos oferecê-lo e saímos para falar com o fundidor. Depois de andar uma boa distância, chegamos ao rio, que pretendíamos atravessar por meio de uma ponte flutuante de barcos. O Senhor, porém, havia fechado nosso caminho. Na noite anterior, uma tempestade levou a ponte embora e o único jeito de atravessar, agora, era através de uma balsa, que custava duas moedas por pessoa. Como só tínhamos uma moeda, nosso caminho era claramente voltar e esperar a própria intervenção de Deus em nosso favor.
Ao chegar em casa, descobrimos que a Sra. Jones havia saído com as crianças para almoçar na casa de um amigo, um convite feito alguns dias antes. O Sr. Jones, embora convidado também, se recusou agora a ir e deixar-me em jejum sozinho. Então, fizemos mais uma busca cuidadosa em todos os armários; embora nada houvesse para comer, encontramos um pequeno pacote de chocolate em pó, que, dissolvido em água quente, ajudou a nos reavivar um pouco.
Em seguida, clamamos novamente a Deus na nossa angústia, e o Senhor ouviu e nos salvou de todas as nossas tribulações. Pois enquanto ainda estávamos de joelhos, uma carta chegou da Inglaterra contendo uma oferta.
Confiança Abundantemente Recompensada
Esta provisão oportuna não só supriu a necessidade urgente e imediata daquele dia, mas também nos deu confiança para ir em frente com o meu casamento, que estava marcado para duas semanas depois desta ocasião, na confiança segura de que o Deus a quem pertencíamos não nos deixaria envergonhados. E esta expectativa não foi desapontada, pois ainda que nossa fé fosse muitas vezes exercitada, por vezes severamente, nos anos posteriores, ele sempre se provou fiel às promessas e nunca permitiu que nos faltasse bem algum.
Nunca, talvez, existiu uma união que cumprisse mais plenamente a bendita verdade: “O que acha uma esposa acha o bem, e alcançou a benevolência do Senhor” (Pv 18.22). Minha querida esposa não foi apenas uma preciosa dádiva para mim; Deus a usou grandemente durante os doze significativos anos que lhe deu para servir numerosas pessoas neste país para onde nos enviou.
Fonte: Jornal Arauto, ano 22, nº4

A Relação entre Teologia e Espiritualidade





A relação entre teologia e espiritualidade, tão importante para termos um relacionamento mais íntimo e pessoal com Deus, não tem sido aplicada de forma correta em nossas igrejas. Existe uma forte tendência em nosso meio de sermos sempre levados ao extremo, ou seja, abraçando um lado e desprezando o outro. Podemos identificar essa realidade observando as igrejas da América do sul e da Europa. A primeira é mística, não dando muita importância a doutrina e reflexão da palavra, baseando sua teologia em experiências pessoais.                                                                                         
·A segunda prega uma teologia racional, onde a razão prevalece, e submete a bíblia à razão humana, desprezando o que é espiritual. Essa rejeição a espiritualidade, forma teólogos puramente racionalistas, teólogos que não oram, não crêem em verdades espirituais como, dons espirituais e existência de demônios e não sentem mais o desejo ardente em seus corações de ter um relacionamento mais próximo com Deus.
Diante dessa crise espiritual em que vivemos, existe uma solução!!! “Equilíbrio”. Para desenvolvermos uma teologia sadia, devemos ter um equilíbrio entre teologia e espiritualidade. Coisas que o nosso intelecto não consegue compreender, só podem ser reveladas por meio da fé. A fé não pode anular a razão, mas transcende, revelando verdades espirituais não compreendidas pela limitação do nosso entendimento humano.
É necessário que haja também uma fé com entendimento, uma fé que pensa, uma fé reflexiva, para não cairmos no erro do fanatismo religioso, onde muitos se tornado alienados por falta de entendimento. Portanto, uma teologia sem espiritualidade nos leva a um racionalismo sem vida, e uma espiritualidade sem teologia, nos leva a uma fé sem entendimento.  

No contexto da igreja brasileira, a teologia não tem encontrado lugar de aceitação em nosso meio, pelo menos, em boa parte das igrejas. Existe em alguns, uma grande dificuldade de ver a teologia como algo sadio, que leva o cristão a uma fé reflexiva.
Nossa hermenêutica é deficiente, exigindo de nós mais empenho na leitura e estudo da bíblia. Outro problema que enfrentamos, é o fato de muitos fundamentarem sua teologia em experiências pessoais, baseado no misticismo, algo que acontece com bastante freqüência em nosso meio.
Necessitamos urgentemente mudar nossa visão a cerca da teologia, pois há grande necessidade de reflexão bíblica, precisamos viver um cristianismo mais reflexivo, criando assim, igrejas sadias, formando crentes bem fundamentados nos ensinamentos de cristo.
Portanto, diante dessa realidade, a teologia é indispensável para a igreja brasileira.